2016 – o ano que passa “gradientizando”

Lá pelos idos de 2005, quando iniciei a jornada acadêmica no design, através do SENAI, os professores nos instruíam a não lançar de ferramentas e/ou técnicas em nossa futura vida profissional. Duas ficaram bem latentes até hoje em minha mente – não usar a fonte comic sans e não usar gradiente (o famoso degradê) em logotipos.

Isso ficou como dogma para mim e para boa parte da turma na época. Como 11 anos fazem uma puta diferença hein? Estamos aqui terminando 2016 – o ano que passa “gradientizando”, pois cada vez mais a tendência de corporações se apresentarem, de disporem a sua identidade visual com a gradação cromática, cresce.

Não tô aqui pra julgar a tendência. Contudo chama atenção quando vemos outdoors rua, vemos anúncios na tv, websites etc. a significativa presença de identidades visuais “gradientizadas”. O que ocorre? De onde vem tudo isso? Bom, o gradiente, usado com as cores certas, cada uma em sua porcentagem pode dar o aspecto de energia, de jovialidade. A evolução nas técnicas de impressão também contribuem para a tendência solidificar, pois se pode finalizar criações sem os antigos temores de limitação de cor, do suporte.

Dentro da recente linha podemos identificar vertentes – da mais discreta à mais gritante, literalmente. Comecemos pela Visa, que tem um gradiente tão sutil em tons de azul que de longe parece chapado, de única tonalidade. É um bom exemplo para quem quer entrar na onda, sem causar muito choque.gradientizando-visaEm uma escala mais clássica e intermediária, o Instagram. Causou surpresa e indignação de muitos com a rede social pois sua nova identidade simplifica ao extremo o símbolo da câmera instantânea e o circundando-o um box de cantos arredondados com gradação diagonal do amarelo para o lilás (ou vice-versa, dependendo do seu ponto de vista). Para alguns, a modernização, a forma clean junto com o que é tendência cromática, para outros, o assassinato de uma fórmula gráfica que dava certo, que no máximo poderia ter alterações pontuais. Ou nem isso.

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E abordando um rumo mais ousado e sensorial, a nossa querida Oi. A tipografia em sua nomenclatura é o único elemento fixo nesta identidade, que tivera suas diversas formas criadas por vozes. Expressões vocais são a estrutura construtiva de uma marca que se diz viva e mutante, expressando dinamismo e movimento, algo tão fundamental nos dias de hoje na área de serviços de comunicação. Naturalmente com a pluralidade de vozes as gradações de cor tomam um rumo múltiplo, é quase um monstro formado que pode sair de controle. Não sei se isso é bom ou ruim, quero que você me ajude pondo sua opinião no espaço de comentário – com essa gigante gama, podemos reproduzir a identidade da Oi, em nossas mentes ou lápis e papel, da forma que nosso cérebro absorve esta informação. É uma estratégia por um lado bacana, democrática, de aproximação com o público. Por outro lado pode dar um gigante nó em nossas cabeças, na dificuldade de identificar a face concreta da empresa.

E agora José? Vamos gradientizar com tudo ou vamos com ponderação?

Publicado por

Andy Santos

Carioca de nascimento, santista e vila velhense de coração. Um rubro-negro que adora o alvinegro praiano, um roqueiro da roda de samba, um ser barroco que faz do seu mundo uma forma minimalista.

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