O ressurgimento da banda Lush ao aspecto do design

Cases onde tem algum conjunto musical é sempre delicioso de falar e analisar. Rolling Stones e Metallica são exemplos de identidades visuais duradouras, bem sucedidas. Mas não falaremos delas. Mas sim do ressurgimento em 2016 da banda inglesa de rock alternativo Lush e como ao aspecto do design contribui para o reconhecimento do grupo após praticamente duas décadas separados.

Lush não é uma banda anônima – tem fãs no Reino Unido, outros locais da Europa, EUA e até aqui no Brasil. Contudo qualquer longa ausência faz desaparecer um pouco a marca na memória coletiva. E qual objetivo foi alcançado no projeto de identidade visual para a banda? Mostrar ao público que se tornou madura, sem perder a energia e os conceitos construídos desde o seu começo. Foi isso que Chris Bigg, que capitaneou o projeto, realizou.

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Emma Anderson, Miki Berenyi e Phil King, da formação original em anúncio da Rádio BBC 6

Tenho certeza de que você olhou bem a imagem de capa, observa este logo tipográfico sem serifa, os caracteres divididos silabicamente, envolvidos por um círculo de expressivo contorno, no mais alto sinal de simplicidade e facilidade de leitura. Quer composição mais clean, equilibrada e madura do que essa? Impossível! Ou talvez não impossível, até a gente ver o próximo trabalho. Mesmo que não caia ao seu gosto estético, porém me diga, não é uma boa estratégia de massificar sua marca nas mentes, junto com as inéditas canções do recém lançado álbum Blind Spot? Isso é o pote de ouro no fim do arco íris para o designer, a excelência na funcionalidade.

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Falando no álbum, é claro que o seu título (ponto cego) determina pontos fundamentais na identidade visual. O preto e as texturas em cinza fazem o molde e o ator principal é um objeto amarelo, semelhante a um olho, replicado ora em foco, ora em desfoco. Bigg mantém a linha, mantém a coerência fazendo uma peça de rápida leitura, com cada elemento cuidadosamente posicionado e confortável contraste. Pôsteres, banner de site, divulgação, entre outros artigos seguem a linha do desfoque ao fundo. A maioria contém cores quentes, dando um aspecto de intensa energia. Existe uma agradável mescla entre fotografia e grafismos.

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Chris coloca personalidade, o que crê no que representará melhor a marca Lush em cada item. No entanto se inspira e respeita o legado de Vaughan Oliver, o responsável pelas peças gráficas do conjunto nos anos 80 e 90, a serviço da gravadora 4AD. Quem acompanha a banda há mais tempo e/ou se atenta aos detalhes percebe que o projeto de cada um se converge. Melhor dizendo, evolui, segue o passo, não há nenhum ruído divergente no que um e outro pensou. O que se diferencia é o contexto, a personalidade. Vaughan mostra peças mais agressivas e menos no eixo, normal ao se querer expressar visualmente um grupo jovem de intensidade gigantesca. No álbum Lovelife (1996) ele cria um logo exclusivo para o trabalho, sendo de aparência feminina, ao mesmo tempo ruidosa, com a repetição dos círculos de variados contornos, a tipografia em bastão com um suave corte no meio e o rosa predominante. Na capa do disco em si, há a imagem de um sujeito segurando uma grande placa com esse logotipo no meio de cactos na sua frente e algumas flores ao fundo.

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Trabalhos desenvolvidos por Vaughan Oliver na década de 90, pôster de divulgação e a capa do álbum Lovelife

Importantíssimo voltar ao assunto logos, o primeiro se assemelha demais ao desenvolvido por Bigg. A diferença é que a nomenclatura está toda na mesma linha e disposta em caixa baixa. A composição que ensaia ser de tipografia cursiva, um tanto irregular, que não creio que Vaughan tenha trabalhado, não foi de todo agrado e apareceu apenas no álbum Split (1994).

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Timeline dos logos utilizados pela banda Lush

Agora a ansiedade é pelos próximos projetos nos quais o nome Lush estará em voga. A preocupação na continuidade, coerência e regularidade na apresentação/divulgação visual é evidente dentro da banda e escolheram ótimos profissionais para representá-los. Confira a seguir mais itens da nova identidade e um vídeo da banda performando. Deixe seu comentário.

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Publicado por

Andy Santos

Carioca de nascimento, santista e vila velhense de coração. Um rubro-negro que adora o alvinegro praiano, um roqueiro da roda de samba, um ser barroco que faz do seu mundo uma forma minimalista.

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